(De: Saúde mental na pandemia – 64)
Um ano, 3 meses e 15 dias após os primeiros decretos em 13/Março de 2020. Momento oportuno para pensar, avaliar e reprogramar, caso necessário.
Serão só duas semanas ou no máximo um mês para que tudo se defina e acalme, e então voltaremos. (Foi o que ouvimos, lemos e pensamos desde estas primeiras comunicações).
Pensamento positivo? Falta de informação? Imprevisibilidade? Difícil dizer, mas parece uma mistura de tudo isso…
A noção (e medição) do tempo que passa muito rápido e também muito devagar. Dias intermináveis, rotina modificada (quando há uma), e registros tremendamente diferentes dos usuais.
Conclusão: dias alterados, estranhos e longos demais, sendo paradoxalmente um tempo que passa muito rápido. Hoje é 2af, dia tal, de uma semana que começa. Seguimos no dia a dia e, de repente, já é 6af novamente…
Onde foram parar os dias, semanas e até meses ???
É uma espécie de cisão: tudo lento e rápido e o tempo não passa, contudo, ele voa. Muito esquisito tudo isso…
Tempos complicados para todos. E, muito importante ressaltar, com vivências absolutamente particulares. Há gente que passou este período de forma trágica: perdeu pessoas fundamentais, renda, rotina e esperança; outros tiveram perdas concretas um pouco mais suaves, mas se desestabilizaram por empatia. E ainda aqueles para os quais a vivência da pandemia foi algo distante. (Estes, embora provavelmente não caibam nos dedos de uma mão, existem…)
De qualquer maneira, a instabilidade, cansaço e desânimo foram unanimidades, assim como a diminuição da esperança.
Por mais exaustos e desanimados que possamos estar, é bastante claro que o tempo que falta para uma volta é muito mais curto do que aquele que vivemos até agora.
Em outras palavras: falta menos, muito menos do que se vislumbrou até aqui para uma volta a períodos mais brandos e próximos dos anteriores.
Voltaremos ao momento anterior à pandemia, sem restrições, protocolos e afeirições? Certamente não, mas a vida será muito mais parecida com a de sempre. Muito mais normal e conhecida.
Neste momento, observando andamentos e resultados em vários países; passado todo este tempo em mudanças e adaptações particulares e tendo vacinação em curso, podemos fazer um “pit stop” para refletir sobre alguns pontos:
- Como me encontro hoje, aqui e agora?
- A vida que eu levava até então estava em sintonia com minha essência e necessidades?
- Sigo mantendo as mesmas prioridades de antes? Meus valores e objetivos se mantêm ou mudaram ?
- O que este período me fez entender sobre meus relacionamentos familiares, afetivos e sociais? Desejo manter ou mudar?
- Caso positivo, qual é a maneira mais simples e direta de retomar?
- Caso negativo, o que desejo mudar? De onde começar, em que lugar quero chegar e o que posso fazer para que aconteça? (Lembrando sempre que longas e frutíferas jornadas começam com pequenos passos. Um caminho longo sempre começou do ponto zero.)
Se quiser compartilhar sua vivência (em via unilateral, como da outra vez, em que depoimentos não foram postados), será muito bom saber de você !
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