(De: Saúde mental na pandemia – 76)
Para começo de conversa: não está fácil !
Mesmo para aquelas pessoas solares; seres positivos, otimistas, inspiradores (e eventualmente incompreensíveis para quem não funciona assim…)
Você planeja, organiza e se prepara. Ótimo! E aí surgem imprevistos. Você se estatela no chão, toma fôlego e então “recalcula”: seu trajeto, recursos e logística, tal qual o Waze no carro, e segue viagem, já que paralisar no meio do caminho não é uma (boa) opção.
Tudo mudou tão rápida e drasticamente que fica difícil de acompanhar. Nos trancamos em casa. Rotina e dia a dia foram para o espaço. Excesso de informações, notícias e recomendações que chegam sem parar, sendo muitas vezes opostas e contraditórias.
Além da situação particular que cada indivíduo enfrenta, temos todos nossos próprios medos e instabilidades e fantasias negativas.
Haja equilíbrio !
E agora? O que e como fazer para manter a sanidade mental?
Antes de mais nada, a recomendação de sempre: acolher suas próprias instabilidades e mudanças de estados, mantendo a auto compaixão e compreensão. São oscilações naturais e até saudáveis, pois fazem parte da realidade que estamos vivendo.
Aqui vão pequenas e simples dicas:
Rotina
Devemos sempre manter uma rotina a ser seguida durante a semana, com horários para dormir e acordar, comer, se ocupar, se exercitar. Se você tem um trabalho fixo, isto será facilitado por imposição externa. Mas, caso não tenha, procure manter um dia a dia organizado com tempos e momentos para o que precisa fazer. Naturalmente, equalizando organização com alguma flexibilidade, sem exageros ou rigidez em extremos.
É bom para a saúde física e mental e lhe dará um sentido de normalidade.
Auto – cuidado
Atenção com a alimentação, sono, exercícios e atividades que lhe tragam prazer e satisfação e isto inclui lazer e diversão- também fundamentais neste momento.
Ajuda ao próximo
Cuidar da família, amigos, conhecidos. Dar e receber afeto e solidariedade são necessidades humanas. O trabalho voluntário é também muito bem vindo. Importantíssimo neste momento para quem precisa, benefício imenso para quem pratica e pré-requisito para a superação de tantos problemas econômicos, sociais e emocionais.
Dosar as informações
Você assiste o telejornal e fica a par da situação no país; no jornal encontra ao menos 2 diferentes pesquisas, resultados e conclusões a respeito da Covid. Seus amigos lhe contam (diferentes) experiências com (igualmente diferentes) resultados. E no(s) grupo(s) de Whatsapp, trocas frenéticas estórias e sugestões. Temos que colocar limites para o que lemos, assistimos e ouvimos, pois não é possível discernir entre tantas.
Contudo, a esta altura, temos algumas informações e certezas irrefutáveis; sendo a maior delas a solução através das vacinas.
E neste momento de espetacular vacinação avançada, uns dizem que vão voltar a circular e socializar normalmente; outros pensam que devem ir devagar e há quem entenda que ainda não é a hora de flexibilizar tanto. Mas, independente da decisão individual, estamos todos exaustos e saturados depois de tanto tempo de distanciamento e restrições.
É desejável que cada um evolua na flexibilização no seu próprio ritmo e limites, dentro de um bom senso e dados de realidade.
Números e estatísticas são muito claros: formas graves de Covid estão surgindo em pessoas não vacinadas. Os vacinados (de forma completa ou não) podem se infectar, mas terão uma forma mais ou menos branda de uma gripe. Ponto.
A vacina salva. Ponto.
Aquele ditado: “Enquanto fazemos planos aqui em baixo, os Deuses riem lá em cima”, fica bastante claro neste momento. Imaginamos, organizamos, e fizemos a nossa parte para que tudo funcionasse. E então entendemos que não temos nenhum controle sobre certos eventos que podem mudar nossas vidas. Simples assim.
A vida traz surpresas. Se tivermos coração e mente abertos e grandes doses de flexibilidade, humanidade e humildade (importantissimos neste momento, se me permitem a sugestão) poderemos operar maravilhas.