CATASTROFISMO
Independente da atual pandemia, notícias sempre apresentaram informações sobre catástrofes, desgraças e intempéries.
À exceção das seções de entretenimento, turismo ou dedicadas à beleza, as notícias frequentemente tratam de temas negativos.
Dificilmente veremos notícias como:
“Família feliz. Realizou seu sonho de comprar a casa própria”. (A menos que se trate de alguma estória de superação.)
Ou: “Casal se declara muito realizado na vida em comum”.(A não ser que sejam celebridades.)
E agora a respeito da pandemia há muitas informações, dados e estatísticas assustadores, sendo alguns até bastante imprecisos.
E, informações demais com segurança de menos, nos levam ao medo, ansiedade e eventualmente ao catastrofismo.
Pela nossa própria ânsia por respostas e esclarecimento, temos grande possibilidade de “completar” as escassas informações com o pior cenário possível.
A necessidade de preencher lacunas é característica da mente humana. Isso nos traz ideia de entendimento e controle.
Uma resposta horrível é melhor do que nenhuma resposta pois, sabendo o que virá, poderemos nos preparar.
E isso pode facilmente nos levar a pensar de forma catastrófica, aumentando a certeza de caos, de “fim do mundo”.
Passamos por planos econômicos, surtos de doenças aterrorizantes e previsões de futuro sombrias.
Essas ocorrências trouxeram desgraças e perdas incomensuráveis mas, em maioria, sobrevivemos.
Toda e qualquer vida perdida que poderia e deveria ser evitada, é terrível.
Isso também se dá em termos econômicos.
Mas a humanidade é tremendamente resiliente. Se não, nós não estaríamos aqui.
Somos mais fortes do que conseguimos enxergar quando estamos mergulhados na catástrofe. Atual ou futura.
Mas, é necessário um grande esforço para se desfocar do desespero quando nos sentimos assim e voltar nosso olhar, energia e motivação para o oposto do catastrofismo que é a esperança.
Sem positivismos ocos, mas pela observação realista: há milhares de pessoas lutando incansavelmente para descobrir a cura para o vírus e outras agindo para ajudar seus semelhantes, além daqueles que alegram nossos olhos, alma e espírito com sua arte enquanto passamos por tudo isso.
COMPARAÇÕES
Somos seres gregários. Nos juntamos porque precisamos uns dos outros.
Criamos redes familiares, sociais e de trabalho e isto é fundamental para a nossa existência e bem estar mas, em contrapartida, também traz questões complexas.
Algumas são potencialmente negativas como a comparação: somos valorosos, inteligentes, ou até bonitos pelo espelhamento e medição (de padrões pré determinados).
Com o advento das redes sociais, a comparação se dá de maneira massiva e em vários aspectos.
Temos as mídias, aplicativos, serviços e ferramentas que medem nossa vida profissional, pessoal, familiar, afetiva, social e até sexual.
A nossa e as dos outros. E as informações circulam…
Posso me considerar muito feliz e realizado mas serei massacrado por informações sobre as vidas dos outros que certamente serão mais “interessantes” e “vibrantes” do que a minha.
Sim, porque com exceção de alguns sites, blogs ou depoimentos soturnos e negativos- nos quais curiosamente, as pessoas também parecem competir entre elas (ainda que no polo oposto), o que nos aparece é a vida maravilhosa que os outros levam.
E a partir da comparação com os outros, passo a me sentir diminuído, frustrado ou infeliz.
Parecemos estar em uma vitrine onde vemos e somos vistos e as descrições das vidas alheias são “incríveis” e cheias de superlativos. E a idealização que fazemos do outro nos frustra.
Mesmo agora com o isolamento e eventos presenciais suspensos, há relatos de sofrimento por comparação…“não rendo no trabalho/ leio/me exercito, medito/etc, como tal pessoa”…
Temos que ter muita cautela aqui porque as necessidades, possibilidades e desejos não são iguais para todos nós. O que agrada a uns, não traz felicidade para outros.
Podemos inclusive, aproveitar a atual reclusão para voltar nossa atenção para dentro.
De nós e de nossas relações. Valorizar o que temos e buscar o que desejamos.
Se estamos satisfeitos, ótimo. Se não, é uma oportunidade para pensar no que gostaríamos de mudar porque nos agradaria mais.
À nós mesmos e não para ser como os outros.
Usando um trechinho da canção…“os outros são os outros e só”… E você, é único. Com seus valores, interesses e vontades.