REINVENÇÃO
Dezembro.
Último mês de 2020.
Final do 9° e início do 10° mês de um tempo surreal.
“Foi um ano em que nada aconteceu.”
“Houve de tudo nesse tempo!”
“Vou apagar 2020 da minha vida.”
“Foram os meses mais transformadores da minha existência.”
Talvez tenhamos dito coisas parecidas e (certamente) vivenciado muitas outras mais.
Palavras como: tragédia, desespero, solidariedade, ameaça, ansiedade, empatia, pandemia, esperança, desesperança, mudança, reflexão, tédio, instabilidade e outras tantas, viraram parte constante de nosso vocabulário.
Tudo isso nos afeta individual e coletivamente.
A possibilidade de contrair o vírus é coletiva, democrática e indiscriminada. Já as condições sócio econômicas e o acesso ao tratamento são diferentes, especialmente em países com tantas discrepâncias como o nosso…
Mas, sem dúvida, estes tem sido meses de sofrimento, angústias e incertezas para todos, de forma geral.
E existem ainda as questões particulares: como está a própria vida, qual é o nível de satisfação, bem estar, saúde física e mental de cada um.
Mesmo com todas as diferenças entre os indivíduos, temos pontos e possibilidades em comum.
Gostaria de destacar aqui um deles:
REINVENÇÃO
A necessidade/chance de se recriar, reinventar, especialmente em 3 aspectos.
• Trabalho/Estudo
Os que estavam em algum trabalho ou estudo em curso, podem ter seguido no mesmo campo rapidamente online, e talvez em sistema híbrido depois.
Porém, a suspensão inicial propiciou questionamentos para alguns. Pensar, por exemplo, que minha área de formação não terá mais muito futuro. Que agora com tantas mudanças, ela tende a encolher, ou tornar-se obsoleta. Ou mesmo a percepção de que não tenho a vocação para tais estudos.
O mesmo se dá com o trabalho: observar que o que eu fazia não terá continuidade, não me dava satisfação, propósito ou era pouco interessante para mim.
E, independente da renda ser razoável ou insuficiente, não valer a insatisfação que me causa. (Convenhamos que passar 8,9 ou 10 horas do dia, 5 dias por semana por longos anos em algo que não apreciamos é bastante frustrante…)
Nestes casos, a necessidade ou o desejo nos impulsiona a pensar em outras opções de estudo, trabalho, ocupação.
Teremos que nos reinventar, mudar de área, fazer diferente.
Muitas vezes a instabilidade é o trampolim para o salto maior, e somos catapultados em direção àquele sonho, desejo ou ambição que deixamos de lado porque tomamos outros caminhos lá atrás.
E então, de maneira forçada ou emergencial vamos ao encontro de reais vocações que, após o susto inicial nos tornam mais felizes
(Uma daquelas oportunidades que a vida nos traz, só que, como ela vem “de óculos escuros e chapéu”, só nós damos conta posteriormente).
• Família
Lembrando sempre que a família da qual viemos é sorte e trabalho duro e, estando ou não juntos no isolamento:
Você percebe que a sua é ótima, amorosa e até divertida, mas que conviviam pouquíssimo porque cada um vivia em seu próprio mundo acelerado e sem tempo? Quer continuar a ter esse maior contato ?
Ótimo ! Assim que todos puderem sair livremente, proponha uma diminuição de velocidade. Para todos, incluindo você mesmo e aproveitem o que descobriram juntos. Será uma alegria.
Ocorreu o oposto? Longe deles você tem menos conflitos, mais tranquilidade e descobre que aqueles programas compulsórios e frequentes eram ainda piores do que se lembrava?
Neste caso, uma notícia boa e outra ruim:
A boa é: com real observação e empenho da sua parte e empatia com os demais, é possível reinventar formas melhores de interação.
A ruim: não depende só de você e os outros precisarão colaborar também. Não sendo possível, talvez seja o caso de usar um “dosador”, como uma bóia de regulação deste convívio…
• Amizades
No isolamento, você percebeu que, de fato, os amigos que te cercam são bons e importantes ? Maravilha! Será uma questão de paciência para esperar o tempo necessário (e suportar um pouco mais as interações em zoom, lives, telas).
Observou que interage muito com dezenas de contatos, seguidores, amigos virtuais, mas pouco com os reais, do coração?
Frequentemente se sente sozinho, embora no meio de grandes grupos?
Hora de “re” tudo: reorganizar tempos, recriar atividades e reinventar dinâmicas, priorizando quem realmente é importante para você.
Crises são sempre difíceis e desafiadoras, mas enormes chances de mudança, invenção e reinvenção.
Nesse tempo de restrições e dificuldades, houve de tudo:
Pessoas que ficaram em compasso de espera, como em suspensão…
E houve gente que até se casou, trocou de emprego, criou um negócio, se separou, mudou de estado, engravidou, descobriu novos prazeres, vocações e talentos…